Dicas

Cotação do dólar: e o custo Brasil?

O governo utilizou-se da velha prática de criar impostos para encobrir a ineficiência estrutural do país.

Com a entrada maciça de dólares no país a cotação da moeda norte americana despencou. O real, sobrevalorizado, é um impeditivo para ampliação das exportações brasileiras e na outra ponta um estímulo as importações.

O governo, através de sua equipe econômica, optou por taxar com IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) o ingresso de recursos estrangeiros, canalizados para os mercados de renda fixa e de capitais.

Resolverá o problema? O dólar subirá? No curto prazo o mercado reagirá no sentido desejado pelo governo, contudo, não se sustenta por um longo prazo. Na prática o Brasil oferece uma taxa de juros real, acima da inflação, muito atrativa, e não será a alíquota de 2% deste novo imposto que irá segurar a cotação do dólar.

Há quanto tempo ouvimos falar e comprovamos a existência do chamado custo Brasil? O custo Brasil é o resumo “romântico”
da total falta de competitividade dos produtos brasileiros.
Assim o custo de produção é onerado com estradas ruins, portos e aeroportos obsoletos, falta de infraestrutura no armazenamento e escoamento da produção, carga tributária elevada, juros nas alturas, leis trabalhistas ultrapassadas, judiciário lento, estado ineficiente, entre tantas outras.

A cotação do dólar no patamar atual pode sim ser competitiva, desde que eliminemos todo desperdício de recursos que o Brasil apresenta, os quais, acabam onerando em demasia o preço final dos produtos brasileiros, forçando a compensação via câmbio.

Se efetivamente o Brasil se apresenta como a bola da vez para o capital estrangeiro, e se mantivermos e devemos manter o câmbio flutuante, taxações são somente paliativos que não atacam as causas do problema. Dá até para desconfiar se o governo federal não está querendo somente compensar a perda de arrecadação deste ano, criando um novo imposto.

Se houver uma disposição em tornar o Brasil mais competitivo, agregando valor ao produto a ser exportado, é factível pensar em um dólar no preço atual, sem que haja perda de exportação.

Governos que pensam somente no curto prazo, são semelhantes àqueles que não planejam para onde querem ir, neste caso, qualquer lugar é bom.

Reinaldo Cafeo - Economista, professor universitário, pós-graduado em Engenharia Econômica, mestre em Comunicação. Atualmente, é Delegado do Conselho Regional de Economia - CORECON, consultor empresarial nas áreas econômico-financeira, diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru, perito habilitado para atuar em processos na Justiça do Trabalho e Cível (perícia econômico-financeira), comentarista econômico da TV GLOBO e da 94fm Bauru e Diretor do Jornal O Planeta Economia


Fonte: reinaldocafeo.com.br

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