Para os comerciantes, as notas mais valiosas não são as de R$ 100 ou as de R$ 50. A "briga" é para ter na caixa registradora as moedas de R$ 0,10, de R$ 0,25 e principalmente as de R$ 1 – e as notas de R$ 1 e de R$ 5, para dar troco aos clientes. Até o Metrô enfrenta problemas e desenvolve uma campanha permanente, chamada "Facilite o Troco", para que os usuários comprem os bilhetes com dinheiro "contado". Quem frequenta o Metrô já sabe que vai ver, em vários lugares, cartazes para conscientizar quem usa o serviço.
A proprietária da Lanches Batalha, no centro de São Paulo, Albertina Batista Lameiro, enfrenta o problema há mais de um ano. "Os fornecedores da lanchonete é que ajudam. O padeiro e o leiteiro, por exemplo, trocam os valores. Caso contrário, não seria possível atender o consumidor", afirma Albertina. "Imagino que as pessoas guardem as moedas num cofre, e elas simplesmente desaparecem do mercado."
Já o proprietário da lotérica Galeria da Sorte, Rogério Bianchi, fez um acordo com o gerente do banco onde tem conta-corrente. Uma vez por dia, às vezes mais, se for início do mês, período de maior movimento, ele troca valores lá. "Levo dinheiro ao banco e trago sacos fechados com moedas para a lotérica, cada um deles com mil moedas de R$ 1."
O vizinho de Bianchi, o proprietário da Açaí Coffee, Nilson Freitas, se "aproveita" do planejamento que impede a falta de troco na lotérica. "Quando faltam moedas na lanchonete, peço para o Bianchi resolver o problema. Pelo menos uma vez por dia visito a lotérica em busca de troco. Os produtos são vendidos aqui a baixos valores e sempre faltam moedas", diz Freitas.
"Não há porque faltar troco. Só neste ano, foram produzidos dois bilhões de moedas – 25% são de R$ 1. Até o final do ano, a circulação dessas moedas vai crescer 30%. Além disso, a população terá 700 milhões de notas novas de R$ 2; e 400 milhões, de R$ 5", diz.
Figueiredo afirmou que as pessoas reclamam quando o comerciante oferece uma bala na falta de troco, mas não gostam de usar as moedas. "O consumidor deve colocar as moedas para circular. O BC está preparando uma campanha de conscientização, para que a população mude o hábito e dê valor às moedas."
Fonte: acsp.com.br 20/07/2009